Monday, 5 October 2009

4° Motivo da Rosa



















Motivo da Rosa

Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.
Rosa verá, só de cinzas franzidas,
mortas, intactas pelo teu jardim.
Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.
E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.

Cecília Meireles

5 comments:

  1. Parabéns pelo seu post,pelo bom gosto do seu blogue!
    Cecília Meireles...gosto muito!
    O aroma dos espinhos...já o senti e não lamento,o vento encarrega-se sempre,é sábio.
    MV

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  2. "E por perder-me é que vão me lembrando,
    por desfolhar-me é que não tenho fim."
    ...
    Nem tem comentários. Boa escolha.

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  3. Para acompanhar esta Rosa neste bonito Jardim, deixo outra - esta de Florbela Espanca:

    Rosa! És a flor mais bela e mais gentil
    Entre as flores que a Natureza encerra;
    Bendito sejas tu, ó mês d'Abril
    Que de rosas inundas toda a terra!

    Brancas, vermelhas ou da cor sombria
    Do desespero e do pesar mais fundo,
    Sois símbolos d'amor e d'alegria
    Vós sois a obra-prima deste mundo!

    Ao ver-vos tão bonitas, tão mimosas
    Esqueço a minha dor, minha saudade
    Pra só vos contemplar, ó orgulhosas.

    Eu abençoo então a Natureza,
    E curvo-me ante vós com humildade
    Ó rainhas da graça e da beleza!

    Bjs

    Fátima Clérigo

    Nota- Revi aqui com muito gosto a poesia de Cecília Meireles, que aprecio bastante.

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  4. Obrigada pelos simpáticos e encorajadores comentários! Como é bom reler depois de tanto tempo, este lindo poema de Florbela Espanca ás "rainhas da graça e da beleza"...e como é curioso verificar que nele se descobrem novas e surpreendentes dimensões!

    Bjs, cx

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  5. Que rosas lindas...e sempre..mesmo com as folhas já secas!
    Por detrás duma rosa há sempre uma recordacão...
    Bjs

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